Confusão trilingüe

April 10, 2017

Quando eu cheguei aqui, em maio de 2016, o meu inglês era o básico que eu aprendi na escola, quase 15 anos atrás, única e exclusivamente porque tive a oportunidade de estudar em uma escola particular no Brasil - o que pode (e deve), sim, ser considerado como um privilégio e pelo qual eu agradeço imensamente aos meus pais. 

 

No entanto, para me inscrever no mestrado eu precisava de um teste de proficiência e me deparei com o gosto amargo da reprovação. Eles exigiam um mínimo de 81 pontos no TOEFL, e nesta minha primeira tentativa eu fiz 73. 

 

Porém eu não sou bem o tipo que desiste fácil e uma vez que tinha ainda 3 meses até o prazo final de entrega de todos os documentos na Universidade - incluindo a nota de inglês - me dediquei o máximo possível e 10 semanas depois realizei a prova novamente. Fiz 97 pontos no TOEFL e estava finalmente aprovada para iniciar o mestrado. 

 

Mãe é mãe e o português vai sempre ser a minha língua materna, mas com o tempo, o inglês acabou se tornando minha "língua padrão" e para se ter uma ideia 90% das vezes que uso o "google translator", uso inglês - holandês ao invés de português - holandês. 

 

Eu sempre quis aprender Holandês e este era/é um dos meus principais objetivos desde que cheguei. Há, de fato, muita gente que mora aqui há anos e não fala o idioma simplesmente porque não precisa. Todo mundo fala inglês muito bem, e, orgulhosos, Holandeses estão sempre dispostos a "switch to english" quando o interlocutor não é nativo.

 

Enfim, eu particularmente não consigo entender como alguém decide viver em um país e simplesmente não se esforça nem um pouco para se adaptar à cultura local. Na minha cabeça, se você não está disposto a se dedicar um pouco que seja para se adaptar, não vá. Mas esta é só a minha opinião e não necessariamente uma verdade absoluta...!

 

Enfim, cá estou eu aprendendo holandês e esta é agora a minha língua mais falada. Eu diria que atualmente eu penso e falo 60% em holandês, 30% em inglês e 10% em português. Para se ter uma idéia, hoje respondi a um e-mail do meu pai e alguns minutos depois tive que checar para lembrar em que idioma eu havia escrito: automaticamente o fiz em holandês.

 

Dizem que estou indo bem. Já li e conheço todos os personagens infantis e cometo gafes todos os dias. Tenho quase certeza que já sonho em holandês todas as noites, o meu sobrenome já sai melhor que a encomenda e ninguém nunca me pediu para soletrar-lo. O do Bas ou o nome da nossa rua, no entanto, ainda não sai. Além disso, não posso, de jeito nenhum perguntar sobre aluguéis - pois com a minha pronúncia parece que estou procurando uma puta!!! ("Para alugar: te huur". "Puta: hoer") 

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